terça-feira, agosto 31, 2004

Mulher processa restaurante por dedo em salada

Uma nova-iorquina entrou hoje com um requerimento judicial que exige três milhões de dólares de um restaurante de Manhattan por ter encontrado parte de um dedo humano em uma salada de beterraba.

Segundo Andriynannikova, seu namorado lhe ofereceu parte de sua salada e, quando ela estava comendo, encontrou "algo duro" dentro.

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sábado, agosto 28, 2004

idolatria para as novas gerações

"... embora já não vivessem, na verdade Eles nunca morriam. Jaziam todos em casas de pedra na grande cidade de R'lyeh, preservados pelos encantamentos do poderoso Cthulhu para uma gloriosa ressurreição quando as estrelas e a Terra mais uma vez estivessem prontas para recebê-los. Tanto quanto preservavam Seus corpos, os encantamentos Os impediam de tomar a iniciativa, e tudo que podiam fazer era permanecer despertos nas trevas e pensar, enquanto incontáveis milhões de anos se passavam. Naquele momento exato estavam conversando em Suas tumbas. Quando, após infinitudes de caos, vieram os primeiros homens, os Grandes e Antigos falaram aos mais sensíveis dentre eles. Como? Dando forma a seus sonhos, pois só assim Sua linguagem conseguia alcançar as mentes carnosas dos mamíferos."

("O Chamado de Cthulhu" - H.P. Lovecraft)

Gostaria de receber mensagens edificantes diretamente telepatizadas em sonhos pelo grande senhor do mal ? Gostaria de dormir agarradinho com um poderoso monstro ancestral que dorme sob as profundezas do pacífico aguardando a configuração estrelar adequada para despertar e das lágrimas mortais beber e todo ser vivente devorar ?

Agora você pode, Com o fofíssimo Plush Cthulhu!

quinta-feira, agosto 26, 2004

LAST VERSE


The time has come
for my eternal sleep
nothing else can be done
for I feel so weak

I throw back the stone
at whom wanted me hurt
sorrows I want none
when I rest in the earth

It is part of the game
or maybe I’m mad
that although I feel pain
I’m no longer sad

And with this last verse
I bid you farewell
leaving here this curse:
rot you all in hell



Laudanum Nociva
26.8.2004


PS: I meant well! ;-)

sexta-feira, agosto 20, 2004

EVASÃO

Durante uma caminhada muito cedo logo após o sol nascer, e ao passar por entre as árvores de um pomar só recentemente descoberto, uma maçã cai ainda verde a seus pés. Ele assusta-se com a surpresa, dá um pulo para trás, mas não tem como ignorar a maçã. Pega-a na mão, examina-a, sabe que está verde e teme passar mal se a comesse, porém resolve guardá-la na mochila às suas costas e continuar o passeio como se nada tivesse acontecido. Logo ali adiante ele se depara com cerejeiras repletas de pequenos frutos e logo enche sua boca de cerejas, deliciando-se com elas e limpando o suco avermelhado no branco da sua camisa. Ao chegar em casa ele deixa a maçã sobre a geladeira. Pensa que irá esquecê-la, mas todo dia ele olha para ela.

O tempo passa, e a maçã continua lá. Ela olha para ele mesmo quando ele não está pensando nela. Ele apazigua sua fome com tudo o que encontra na geladeira, e apesar da geladeira estar sempre cheia sua fome nunca passa. E a maçã lembra-o disso, vitoriosa. Ele a ignora.

O tempo passa, e a maçã muda de cor. Amadurece a cada dia. Ele não tem como ignorá-la, mas ele tenta. Ele a odeia! Ela ri dele, ri da sua fome, ri do seu medo. Ele não permite a si mesmo pousar os olhos sobre ela, mas ela continua soberana sobre a geladeira.

O tempo passa. Vermelha! Vermelha! Vermelha como um coração cheio de sangue prestes a explodir! Ele chora. Ela aguarda pacientemente.

E pela primeira vez o sol se move e a tarde chega, a luz é outra, as cores são outras, e a sombra dele estende-se comprida sobre a calçada da rua quando ele caminha. Seus passos que outrora ecoavam sozinhos agora tem o ritmo de uma passada feminina ao seu lado e sua vida completa-se assim como deveria, com vozes infantis e dois pares de olhos grandes voltados para cima para vê-lo melhor. Mas seu coração apesar de continuar o mesmo resolve se rebelar contra a sua vontade, fazendo-o sofrer. Nada mais poderá preencher o vazio que ele sente e a fome que o castiga.

E então chorando, ele entrega-se à maçã, morde-a com fúria, seus dentes cravando-se nela e arrancando pedaços suculentos da fruta que já sangrava de tão madura. Suas veias enchem-se de vida, mas não é o suficiente. Ele sai em busca de maçãs, mais e mais maçãs, as maçãs mais vermelhas que pode encontrar. E então já não basta e ele quer outras, desta vez grandes, desta vez pequenas, desta vez doces, desta vez amargas. Seus passos não são mais ouvidos por onde ele outrora andara, pois ele está agora eternamente em busca das maçãs. A fome reprimida por tantos tempos ameaça virar obsessão. Não há limites para essa busca amargurada e agora completamente sozinho ele cerca-se de maçãs.

E contudo, ele chora, chora pelos tempos perdidos, os tempos de fuga, medo e negação. Chora pela juventude perdida e pelo gosto que já não é mais o mesmo. Da maçã sobre a geladeira resta um pedaço que olha para ele, a casca vermelha e o resto amarronzado. Ele chora.

O sol já está se pondo quando ele se apressa para o pomar do passado, o pomar onde ele encontrara a maçã. Mas esse pomar não é mais dele. O vento bate forte em suas costas como se tentasse em vão varrê-lo para longe. E então parado onde ele antes estivera há muito tempo atrás, vê uma maçã verde e dura, ainda pequena, pairando num galho diretamente acima de sua cabeça. Ele afasta os cabelos e sorri, puxando a fruta para si. O galho não cede. Ele puxa com força, puxa com violência, machuca suas mãos, suas unhas rasgam a casca da fruta. Com fúria ele a puxa até consegui-la para si; e com a maçã muito verde em suas mãos, ele a morde com sofreguidão. Ó implacável obsessão! A casca cede teimosa entre seus dentes, o gosto de dor e amargura em sua boca misturam-se ao gosto ferruginoso de sangue, o qual escorre por seus lábios manchando sua camisa outrora branca. O sol se põe cobrindo com sombras e escuridão o corpo velho e vazio, acolhendo-o com folhas, galhos, raízes. Ele desaparece sob as raizes das macieiras, tudo o que jamais fora, pensara ou sentira, sob as raízes das macieiras. Mas, das sementes novas árvores, e o sol novamente completa seu ciclo e o dia de amanhã virá para alguém que porventura passar pelo pomar...

sábado, agosto 14, 2004

VISITA NOTURNA


Sob meu corpo jaz inerte
espírito mergulhado em tranquilidade
e entregue a meu peso
        Mórbido silêncio e a certeza
        das minhas unhas em sua faringe
        de não mais poder escapar ileso

E as mãos por suas costas,
em invasão desafiante e irreversível,
sabem não lhes ser permitido
        Mas continuam insistentes
        ameaçando fazer tudo o que outrora
        jamais havia cometido

Unhas como lâminas afiadas
e ele sabe que as mãos que assassinam
são as mesmas que o afagam
        Em posição vulnerável
        submete-se à vontade alheia,
        às mãos que a luz apagam

Fecha os olhos e sente
o contato que possue e domina
pelas suas costas correm palmas
        Já não apenas duas
        e nem quatro, mas agora seis
        submisso a tantas almas

Fecha os olhos e não resiste
entregue passivamente ao contato
permitindo todas três
        E nós rimos embriagadas
        disputando entre nós o indefeso humano
        roubado de sua lucidez

Primeiro ela, e depois eu
beijos molhados de sangue à todas
disputamos de sua paixão
        Jugular aberta aos sonhos
        em nossos braços o humano entregue
        esvaindo-se em escuridão

por Laudanum Nociva, 14 de agosto de 2004.


segunda-feira, agosto 09, 2004

me passa a salada

Do meio de minha ruína observo, em um misto de nervosismo e melancolia, o grande castelo de cartas que construímos e no qual reinamos, a despeito de sua fragilidade e impermanência. O vazio ideológico e moral que toma conta de nossas vidas; um joguete em busca de um objetivo vago, indefinido talvez, em que o vencedor, do alto de sua glória e em seu reinado absoluto como detentor de valores, pode gritar aos seus seguidores: Cortem a cabeça dele! Cortem a cabeça dele! - E cabeças são cortadas e os corpos entregues para que criaturas chafurdem. Pelo menos até o próximo surgimento de um novo vencedor, com outras cartas e outras cabeças.
Do meio de minha própria ruína - apenas um corpo sujo, minha cabeça já foi cortada e não sei de seu destino - suplico. Minha súplica não se dirige ao rei, que julgo não ter qualquer resposta a me oferecer, agora que não tenho cabeça; não se dirige também aos céus, meu cinismo quase nihilista me impede de ações deste tipo. Minha súplica, quase um grito de dor - de fato seria um grito de dor se gritos de dores não fossem tão cafonas e não atraíssem legiões de doloridos dispostos a gritar em coro, condolência é a última coisa que preciso - enfim, a pergunta, que dirijo somente a mim e a minha decadência, por falta de um alvo mais adequado, me sai como um grito, um chamado, um uivo. Escalo minha própria ruína, entrelaçada e misturada às ruínas dos sonhos, dos valores, do mundo; me desvio de alguns pedaços podres de tecido vagabundo, chuto uma ou outra carcaça e, chegando ao ponto mais alto grito, olhando para baixo: O que importa ? O que diabos importa ?
A única resposta que ouço são os ecos.

domingo, agosto 08, 2004



Image Hosted by ImageShack.us DITESCO MORI
"Sou enriquecido pela morte".

Imagem número VI do romance "The Club Dumas" e do filme "The Ninth Gate" (Roman Polanski).

Um dos meus filmes prediletos...

hahahaha
(risada diabólica da Nociva)