VISITA NOTURNA
Sob meu corpo jaz inerte
espírito mergulhado em tranquilidade
e entregue a meu peso
Mórbido silêncio e a certeza
das minhas unhas em sua faringe
de não mais poder escapar ileso
E as mãos por suas costas,
em invasão desafiante e irreversível,
sabem não lhes ser permitido
Mas continuam insistentes
ameaçando fazer tudo o que outrora
jamais havia cometido
Unhas como lâminas afiadas
e ele sabe que as mãos que assassinam
são as mesmas que o afagam
Em posição vulnerável
submete-se à vontade alheia,
às mãos que a luz apagam
Fecha os olhos e sente
o contato que possue e domina
pelas suas costas correm palmas
Já não apenas duas
e nem quatro, mas agora seis
submisso a tantas almas
Fecha os olhos e não resiste
entregue passivamente ao contato
permitindo todas três
E nós rimos embriagadas
disputando entre nós o indefeso humano
roubado de sua lucidez
Primeiro ela, e depois eu
beijos molhados de sangue à todas
disputamos de sua paixão
Jugular aberta aos sonhos
em nossos braços o humano entregue
esvaindo-se em escuridão
por Laudanum Nociva, 14 de agosto de 2004.

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