terça-feira, outubro 26, 2004

Ad astra

quinta-feira, outubro 21, 2004

Butterfly Caught


"Quando a neblina baixou e a claridade do novo dia deu seus primeiros sinais, ele subiu os degraus revelando aos seus olhos a luminosidade que contrastava com seu interior, há tanto tempo silencioso e trancafiado tão secretamente que quisera ele um dia ter perdido a chave. As lágrimas corriam-lhe pelo rosto, não por tristeza mas sim pela intensidade da luz que feria sua retina. Que estranho devia ser para quem o observasse: uma criatura obtusa, empoeirada como um rato, esquecida pelo tempo. Nada mais era que mais uma pessoa andando pelas ruas, como alguém qualquer em rumo a um objetivo, nada da sua essência, nada do seu brilho ou mesmo sequer antigos sonhos. Apenas sua expressão, congelada em uma máscara. Lembrou-se do tempo em que acreditara que existiam coisas boas e más vivendo em harmonia, Deus e o Diabo conversando em um café em Paris, sim, e que saindo do Baile de Máscaras conheceria a verdadeira face de seu par. Pensamentos tolos. Seguiu adiante, como se realmente tivesse algum lugar para ir, imaginando o quanto resistiria desta vez, por quanto tempo conseguiria calar seu grito e apenas sorrir. Ah, que triste armadilha!"

Batam suas asas em direção ao site Fiber Online e assistam o clip do Massive Attack, Butterfly Caught.

sábado, outubro 16, 2004

Depois do sol...

Cecília Meireles

Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério . . .

Tudo imóvel . . . Serenidades . . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho . . .
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . .

Seres e coisas vão-se embora . . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora

Pelos silêncios a sonhar . . .

domingo, outubro 10, 2004


I'm watching you...