Era o vazio, o silêncio,
o cheiro de morte em sepulcros recentes,
as unhas ruídas por ratos,
a dor dos amados, ausentes.
Era o orvalho nas pétalas murchas,
a teia no porta-retrato vazio,
a rachadura no cimento mal-feito,
os lábios formulando o adeus tardio.
Era sessenta e dois anos atrás,
o som do alarme dado,
os aviões e o bombardeio,
o terror nos olhos de um soldado.
Era a dor de pensar no passado,
de ter perdido o amor para a morte,
de desejar também ter morrido
mas sem ter jamais tido tal sorte.
Era o som de seus saltos baixos
ecoando, suave, por cada canto,
a dor nos seus ossos fracos,
os cabelos encobertos pelo manto.
Era o canto de um rouxinol,
isso, e nada mais,
enquanto ela se distanciava
daquele que esqueceria jamais.
~~Laudanum Novica~~