Ela ouviu em silêncio, resolveu nada responder, apenas voltou-se para dentro de si mesma. Ela poderia ficar horas assim, os olhos fixos em algum objeto do outro lado do recinto sem contudo vê-lo – apenas uma imagem borrada e sem sentido, não mais nem menos importante do que qualquer outro objeto ou pessoa que a cercava. No momento ela não tinha olhos para mais nada, ou nenhum espaço para qualquer outro pensamento além daquele, que de tão obcessivo não lhe saída da mente. Mesmo que fechasse os olhos ela ainda via aquela imagem, os olhos felinos e verdes, longos cabelos vermelhos cortados em franja sobre a testa, os lábios vermelhos, o sorriso que era ao mesmo tempo um convite e um desafio. Quando havia sido isso? Cinco minutos, cinco anos atrás? Que diferença faria? Era como se ainda estivesse ali, os olhares trocados através do espelho, o riso provocativo escapando do canto de seus lábios. Mas ela nada respondeu. Os lábios rubros riam-se de seu medo, enquanto os olhos verdes voltavam-se para si mesmos no espelho, para retornarem à sua imagem após um instante. E agora ela lembrava-se disso, como se vivenciasse o momento novamente. Aquele momento, e a possibilidade perdida e jamais resgatada, levado pelo tempo porém jamais esquecido, aquele momento, ele a fez perceber a insignificância de seus receios e o passar implacável do tempo, a brevidade da vida. Ela procurou em sua memória o lugar, o recinto, a circunstância; ela recriou a sua frente o espelho, a luz, a sombra, a porta; ela aproximou-se do espelho, tocou-o, penetrou-no, viu-se de repente do outro lado e agora eram seus próprios olhos que via, e eles a viam, eles se viam. E ela percebeu que aquela memória não havia jamais sido, ela jamais havia ali estado, ela havia imaginado tudo, ela havia imaginado a si mesma. Ela havia passado tanto tempo imaginando-se que mal podia lembrar quando havia pela última vez levantado. E o pior, ela não conseguia nem ao menos imaginar um final melhor para esta história.
domingo, março 20, 2005
terça-feira, março 08, 2005
"Kana! Kana! Hakkiliha!"
Confira a propaganda mais decaidra que já se viu: este é um comercial de carne moída de frango, feito na Estônia nos anos 80. Melhor não explicar muito, mas deixar vocês verem e julgarem por si mesmos. Aqui está o vocabulário necessário para a compreensão do video estoniano (aprenda antes de ver o video!) :
kana = frango
hakkiliha = carne moída
E uma advertência: esse comercial foi construído de forma a "manipular" a sua mente! (risos...) Se isso é feito de forma efetiva, ou simplesmente decaidra, só assistindo o video para ver. Deixe um comentário com o seu diagnóstico do video, relato da sua experiência traumática, etc e tal.
Volume ao máximo, e clique o link:
http://www.hot.ee/lehva3/kanahakkliha.mpg
Esses estonianos são loucos...
