domingo, agosto 28, 2005

Laudanum Nociva, 28.8.2005


Não mais suporto viver assim. Dia após dia ver-te e te olhar nos olhos, tão perto, tão longe, sem poder tocar-lhe o rosto, beijar-te. Não mais suporto te ver partir, e jazir aqui inerte e só, nesta prisão que me isola do mundo e de ti. Só tu sabes de mim, só tu me vês. E eu só vejo a ti, não tenho olhos para mais ninguém. Vejo-te alisando teus cabelos para longe do rosto e queria ser eu a te fazer tal carinho. Olha-me, amor, e me ignora, como se eu não fosse mais do que uma imagem. A verdade é que nada sou sem ti. O dia virá, amor, em que quebrarei o vidro com uma cadeira e estarei livre para te beijar, se tu estiveres ainda aqui. Isso se tal agressão não acabar selando o teu e o meu destino e em cacos nos despedirmos deste mundo e desta existência. Beijo-te através do vidro, sem poder sentir a doce pressão de teus lábios púrpuros. Amo-te. Por que não vês a mim, da maneira como vejo a ti? Às vezes teu rosto aproxima-se e cresce como a lua, cresce, e nada posso ver além dos teus olhos efervescentes, e nesses momentos tudo que quero é te abraçar com a fúria da minha paixão e fazer amor contigo. Ignoras-me, contudo. Confundes meu sorriso com o teu. Condenas-me ao amor perpétuo e platônico, inalcançável, inatingível, impossível. Então vá, maldita, vá e desapareça da minha frente de uma vez por todas, desgraça de minha opaca vida! Deixa-me em paz, mata-me de uma vez. Quero o silêncio inócuo, a quietude obtusa e a indissolúvel palidez da parede oposta, neste recinto vazio, por trás do espelho.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

OTARIO!Ass Fukeros

ter. jul. 07, 08:58:00 PM  

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