A Chinesa (um sonho)
Laudanum Nociva, setembro de 2005
Tive um sonho estranho que me deixou com uma sensação surreal que insistiu em me perseguir por horas. Foi tão real e estranho...
No sonho eu era um homem ocidental – que tipo de homem ou de que nacionalidade eu não sei, talvez fosse inglês – e eu estava com uma mulher chinesa, a qual usava roupas tradicionais e possuía um silêncio cheio de um sentimento pesado e profundo, uma agonia ou tristeza que lhe consumia por dentro. Eu estava preocupado e queria ajudá-la. Não lembro o começo do sonho muito bem, apenas que eu estava deitado abraçado à ela, profundamente preocupado com ela, e ela me olhava tristemente nos olhos e dizia algo em chinês que eu não compreendia. Então ela pegou a minha mão, dois dedos de minha mão, colocou-os por baixo de seu vestido e entre suas pernas, inserindo-os em sua vagina, e eu percebi então que ela guardava algo lá, algo que parecia um papel dobrado. Ela queria que eu soubesse. Era algo importante. Ela falou novamente em chinês, e como eu não podia compreender uma voz traduziu explicando que o marido dela havia morrido. Talvez aquilo fosse uma espécie de luto, algo que ela tinha que fazer e que tinha algum significado religioso ou pessoal para ela, como uma promessa que não pode ser rompida. Ela beijou-me muito triste e me deixou sozinho.
Depois daquilo fiquei muito curioso, eu precisava saber o que era aquilo. Perguntei para uma conhecida chinesa que falava inglês, e ela me explicou o que era e também me mostrou um objeto do mesmo tipo, que não havia sido usado mas que era semelhante àquele: era tipo um pergaminho, dobrado, mais ou menos uns cinco centímetros de largura e uns dez de comprimento, textos escritos em chinês e uma cordinha vermelha (ou azul, estranho que não consigo lembrar da cor). Peguei o objeto e o investiguei curiosamente. Minha curiosidade nada mais era do que a minha preocupação com ela. Eu precisava saber.
Naquele momento, a chinesa triste apareceu ao meu lado e me viu com aquilo na mão! Ficou completamente arrasada e desapontada comigo, ferida pela minha curiosidade, a qual ela acreditava ser nada mais do que mera curiosidade. Sentiu-se invadida e traída. Novamente falou apenas em chinês, mas através dos seus olhares e gestos entendi o que ela queria dizer: estava indo embora e nunca mais queria me ver. Joguei-me a seus pés, implorando por perdão. Tentei explicar, implorando e implorando. Ela não havia entendido! Ou talvez eu não houvesse entendido. Eu a havia causado uma mágoa muito grande e ela não poderia me perdoar. Chorei, implorei, ajoelhado a seus pés, mas ela partiu. Permaneci de joelhos, sozinho e chorando compulsivamente. Chorei muito. Muito. Tanto que acordei pela exaustão do choro, e completamente atordoada por tudo aquilo.

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